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Deus entre os homens

Por Erasmo V. Ungaretti

Dentro do propósito divino estava o fato de ter César Augusto, Imperador de Roma, decretado um recenseamento. A história da Fé Cristã começa e utiliza o que era imprevisível aos homens. Deus movimenta-se na História Universal. E quando Deus age tudo é nascimento e ressurreição, tudo brilha na intensidade do novo: um novo período histórico, um novo Reino vindo ao mundo, uma nova vida é oferecida àquele que quiser se tornar um novo homem.

Um recenseamento sempre visa contar uma população. Esse contaria um povo que, embora eleito por Deus, passava de mão em mão, sob os dominadores do mundo. Povo que nos dias do passado pecara por ter contado quantos eram nas diferentes tribos. Agora, o recenseamento ocorria pela imposição do Império. E, nesse recenseamento, um menino foi contado. Não só Maria e José – o menino o foi também, e nele Deus é contado entre os homens. Nisto está o sentido desse fato eterno: Deus foi contado entre os homens!

Não que, antes, Deus não estivesse presente no mundo, mas, agora, está de forma visível. Deus fez-se homem! Um menino nasceu e foi chamado por Emanuel (Deus conosco)!

O Império contava os seus súditos, homens e mulheres, escravos e livres. Para o Império, o povo era um simples número, um grupo, uma população. Contava para verificar o seu prestígio, conhecer sua força. O poder que estava em suas mãos. Assim sempre agem os poderosos. Contam para verificar quanto têm, que força dispõem, que capacidade de domínio possuem. Deus age diferentemente. Usa o recenseamento dos homens, não olhando para a quantidade, para a multidão: olhando para indivíduos, pessoas, vidas, corações. Não visa medir seu poder, sua grandeza e sua glória – isso não está em sua preocupação. Antes, esvazia-se de tudo, para poder estar entre os homens, ser contado como um no meio deles e poder dar-se por eles.

É extraordinário que Deus venha ao nosso mundo para nele habitar! Mas Deus é assim, procura sempre estar justamente onde há necessidade de sua presença. Ele vem habitar entre nós, mesmo que para isso seja necessário assumir a forma de servo, tomar a semelhança de homem, ser reconhecido em figura humana.

Somente quando vemos Deus contado entre nós é que percebemos a distância que há entre os caminhos dos homens e o Nós, por nós mesmos, não podemos conhecer a pessoa de Deus, nem ao menos saber o que nós realmente somos. Deus vem para, estando entre nós, revelar o que somos, o valor que temos e o propósito que tem em seu coração para cada um de nós. Assim, deixa-se contar em um recenseamento humano para, nos limites da encarnação com seus sofrimentos, dores, desprezos, mesmo na tragédia de uma cruz, expressar o amor que nos dedica.

seu caminho. Para o homem, o valor está em crescer, dominar, exaltar-se; para Deus, está em esvaziar-se, diminuir-se, limitar-se. O homem quer ser servido e receber; Deus quer servir e dar-se por muitos.

Assim, foi Deus contado num recenseamento como um dentre os homens! E por tornar-se como um de nós, aceita tudo que lhe oferecemos, até mesmo um humilde estábulo e uma simples manjedoura. Se nascesse no palácio, seria filho do rei, não seria contado entre o povo; estaria noutra classe, outra elite, seria outra gente. No estábulo, é parte da humanidade, é povo, está entre todos. Não importa que nas estalagens não haja um lugar para ele, o que sobra lhe é suficiente, afinal, Deus não tem sempre vivido da sobra da raça humana? Um estábulo é a sobra que o homem oferece mais uma vez a Deus. Sempre foi assim na vida humana: a melhor casa, o conforto, os melhores dias da vida, o melhor alimento é para nós e para os nossos; aos outros, a estrebaria! Lá é o seu lugar, o nosso é aqui. E assim fazemos as separações, construímos as barreiras, fugimos de identificarmo-nos com os outros.

Deus aceita, sempre, o que lhe damos. Transforma o que é desprezível para os homens e o dignifica. Santifica o que era ofensivo para nele nascer, fazendo-o cenário do maior acontecimento que a História registra. E, onde o homem seria inferiorizado, Deus é exaltado; onde o homem seria ofendido, Deus é glorificado. Que significativo fato foi realizado por Deus! Se não fosse assim o que seria de nós?

Deus recebe tudo o que lhe oferecemos – estrebaria, manjedoura, palha, nossa miséria e pecados – transformando-os em valores que permanecem. Só assim podemos compreender por que ele toma a nossa alma (que tantas vezes é menor que uma manjedoura), que é palha em seu conteúdo, e por vezes, tão imunda quanto um estábulo (estábulo de nossos vícios). Ele toma essa alma vazia de valores, mas tão cheia de mesquinhez e maldade, e a torna inteiramente preciosa para si. Assim, Deus é contado entre nós! E nessa humildade de Deus é que encontramos a única oportunidade, em nossa pálida vida, de vermo-nos restaurados e dignificados para a glória maior da vida eterna.

Deus conosco. Contado entre nós em um recenseamento. Nascido em uma desprezível manjedoura, cercado por dóceis animais e visitado por homens simples do campo, faz-se como um de nós, para poder tomar a nossa precária vida, cheia de orgulho e misérias, e restaurá-la à posição da qual nunca deveríamos ter saído. Contado entre os homens, vivendo com os homens, morto pelos homens, ressuscitado dentre os mortos, exaltado à Glória Eterna, fazendo-nos filhos seus.


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