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Entrevista com Moysés Cavalheiro de Moraes – 15/10/1927

Como foi sua infância e como conheceu Jesus?

 - Nasci num lar de cristãos metodistas, Miguel e Sara Moraes. Deles recebi uma herança espiritual sólida, ainda que um tanto presa às tradições religiosas do metodismo norte-americano. Éramos uma família pobre e unida e minha infância foi feliz, cheia de molecagens e algumas coisas que ocultava dos meus pais. Aos 17 anos, após um congresso de jovens, Jesus me encontrou e, felizmente, eu também O encontrei. E muita coisa mudou em mim, e troquei rapidamente os valores.

 Como sucedeu seu chamado ministerial?

 - Eu não queria ser um “pastor” de modo nenhum. Tempos antes um querido pastor de nossa família sempre orava, quando nos visitava, e pedia a Deus que me chamasse ao ministério. Eu não gostava disto e dizia aos meus pais que eu desejava ser médico e nem podia me imaginar pregando como um pastor. Mas Deus queria outra coisa: Ele queria ouvir a oração do pastor Eduardo Jayme.

     – Em 17 de Janeiro de 1947, numa reunião de oração, dirigida pelo cozinheiro do internato do IPA, um homem cheio de piedade e amor, um negro alto, espigado e muito querido da igreja, veio o chamado do Senhor. Esse amado irmão usou o texto de Mateus 9.37,38, para nos levar à oração. Nem orar em público eu podia, por orgulho (medo de errar).  Lyginha (começávamos nosso relacionamento) é testemunha de tudo isso. Orei conforme a ordem de Jesus, pedindo que mandasse os obreiros à Sua seara. Jesus, mais real para mim do que os que oravam naquele grupo, me tocou e me disse: “Vai tu mesmo para a seara”. Levantei-me da oração diferente: desaparecera o médico e nascera um pastorzinho que eu não queria ser. Muitos se alegraram, especialmente minha mãe e Lyginha.

Que circunstâncias o levaram a uma renovação espiritual, depois de anos como pastor?

 - Passados anos de serviço na Igreja Metodista, voltava eu de viagem do Canadá, onde passara cerca de oito meses e meio como “professor-aprendiz”, no campo da teologia sistemática. Achava-me frio por dentro, desmotivado e desapontado comigo mesmo, além de doente. Isso em 1972/1973.

      – Em maio de 1973, numa semana de estudos sobre os temas de Wesley, com todos os professores, alunos e membros do Conselho Diretor do Seminário Metodista, que funcionava no IPA, uma senhora piedosa – Dna. Silvia Torres – fez-nos perguntas sobre o poder de Deus em nossa experiência como igreja. Como nossas respostas foram muito insatisfatórias e quase sempre negativas, decidimos buscar o Senhor em oração a fim de receber o poder de Deus prometido nas Escrituras. Fui curado por Jesus de uma profunda hérnia de hiato, em 24 de Junho e batizado no Espírito Santo em 13 de Julho, com a evidência de línguas, o que foi considerado por colegas metodistas como uma ofensa aos padrões da denominação, e apelidado de “pentecostal”, o que não me ofendeu. Sou imensamente grato a Jesus, o batizador no Espírito Santo pelo que fez, por sua livre graça.

Que obras do Espírito Santo mais o marcaram nesta nova aventura de fé?

 - O suprimento da Verdade dEle, com uma nova visão das Escrituras;

      – Uma revelação nunca antes percebida da importância do batismo no Espírito Santo;

      – Uma renovada disposição e entrega nas mãos do Senhor para ser usado segundo a Sua vontade, e também ser usado nos dons do Espírito;

      – Uma crescente (até hoje) compreensão da graça de Deus e Seu amor, afetando tudo, inclusive a estrutura da  igreja e o seu serviço;

      – O sustento econômico sobrenatural de minha família por anos a fio.

O que deseja dizer à amada igreja de Cristo após tantos anos de serviço?

 - Precisaria de muito papel para dizer tudo sobre o cumprir todo o desígnio de Deus, mas direi apenas o que o Senhor falou a uma das igrejas da Ásia: “Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida”. Amém.


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