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Estrelas ou servos?

Minha carreira de jornalista tem me proporcionado oportunidades para entrevistar várias pessoas. Fazendo uma retrospectiva, posso cruamente dividi-las em duas categorias: estelas e servos. As estrelas incluem grandes futebolistas, atores de cinema, músicos, autores famosos, personalidades da TV e assim por diante. Esses são os que dominam nossas revistas e programas de televisão – sim, nossas revistas e programas de televisão cristãos também. Nós os bajulamos, examinando os pormenores de suas vidas: as roupas que usam, a comida que comem, suas rotinas aeróbicas, as pessoas que amam, os lugares que vão e a pasta dental que usam.

Mas eu preciso dizer a vocês que em minha limitada experiência, esses nossos “ídolos” são o grupo de pessoas mais miserável que tenho encontrado. A maioria deles tem casamentos atribulados ou arruinados. Quase todos estão desesperadamente dependentes em psicoterapia. E, por uma forte ironia, esses super-heróis parecem atormentados por uma incurável insegurança.
Tenho também gastado tempo com servos. Pessoas como o Dr. Paul Brand, que trabalhou vinte anos entre os proscritos – pacientes leprosos, os mais pobres na Índia rural. Ou os trabalhadores voluntários na Somália, Etiópia, Bangladesh, ou entre depósitos de imenso sofrimento humano. Ou ainda os mestres especialistas espalhados pelas florestas da América do Sul traduzindo a Bíblia para línguas desconhecidas.

Eu estava preparado para honrar e admirar estes servos, para exaltá-los como exemplos inspiradores. Não estava, porém, preparado para invejá-los. Mas à medida que medito sobre estes dois grupos, estrelas e servos, os servos claramente emergem como pessoas favorecidas e agraciadas. Eles trabalham por baixa remuneração, longas horas e nenhum aplauso, “desperdiçando” seus talentos e habilidades entre pobres e analfabetos. Mas de alguma forma, no processo de perder suas vidas, eles as tem achado. Eles tem recebido “a paz que não é deste mundo”, uma paz que não se descobre dentro dos prédios majestosos das universidade, mas à beira da cama de um miserável indigente.

Durante os últimos dois anos tenho estremecido diante do tom maldosamente jubilante que tem sempre caracterizado os noticiários dos meios de comunicação sobre os escândalos dos teleevangelistas. Veja! Aqueles superastros cristãos não são melhores – são até piores – do que o resto de nós.

Talvez lá no fundo o problema que está por detrás dos escândalos seja o fato de termos distorcido o reino de Deus através de colocar nossos holofotes não em servos, mas em estrelas. Como Henri Nouwen disse: “Mantenha seus olhos naquele que se recusa a transformar pedras em pães, a pular de grandes alturas e governar com grande poder temporal. Mantenha seus olhos naquele que diz: Bem aventurados os pobres, os mansos, aqueles que choram, e aqueles que tem fome e sede de justiça; bem aventurados os misericordiosos, os pacificadores e aqueles que são perseguidos por causa da justiça… Mantenha seus olhos naquele que é pobre com os pobres, quebrantado com os quebrantados e rejeitado com os rejeitados. Esse é a fonte de toda paz”. Em outras palavras, mantenha seus olhos no servo, não na estrela.

Os evangelhos repetem uma citação de Jesus mais do que qualquer outra: “Quem quer salvar sua vida, perdê-la-á, mas quem perder sua vida por minha causa, salvá-la-á…”

Verdadeiramente, o caminho para subir é descer.

Philip Yancey


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